Neste Dia Mundial do Cancro da Mama, queremos relembrar que são diagnosticados cada vez mais casos de cancro da mama em mulheres jovens e a importância de ouvirmos o nosso corpo.
Embora, em Portugal, o rastreio populacional do cancro da mama abranja atualmente mulheres entre os 45 e os 74 anos, esta doença também pode surgir em mulheres mais jovens, nomeadamente antes dos 40 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) salienta que o cancro da mama pode ocorrer em qualquer idade após a puberdade, embora a sua frequência aumente com a idade.
A Breast Cancer in Young Women Foundation (BCYWF), uma organização dedicada à sensibilização, investigação e apoio a mulheres jovens com cancro da mama, destaca a importância de reconhecer alterações na mama e procurar aconselhamento médico atempadamente, quando surgem sintomas suspeitos, independentemente da idade.
Conhecer o corpo para reconhecer alterações
Cada pessoa tem características próprias. Conhecer o que é habitual no nosso corpo pode ajudar a identificar alterações que mereçam avaliação clínica.
Entre os sinais a que devemos estar atentas encontram-se:
- Um novo nódulo ou espessamento na mama ou na axila;
- Alterações no tamanho ou na forma da mama;
- Retração da pele ou alterações semelhantes a uma covinha;
- Vermelhidão, inchaço ou alterações persistentes da pele;
- Alterações recentes do mamilo, incluindo inversão ou secreção invulgar.
Nem todas as alterações significam cancro. Muitas têm causas benignas, mas não devem ser ignoradas quando são novas, persistentes ou inexplicáveis. Perante uma alteração, é importante procurar aconselhamento junto de um profissional de saúde, que irá determinar se serão necessários, ou não, exames complementares.
Claro que conhecer a própria mama não substitui a avaliação clínica, nem os exames de rastreio recomendados para cada pessoa, mas é uma forma de reconhecer mudanças e agir atempadamente.
Porque é importante falar de cancro da mama em mulheres jovens?
Sobretudo porque a idade influencia a perceção de risco. Como o cancro da mama é mais frequente em pessoas mais velhas, uma jovem pode não considerar essa possibilidade perante uma alteração da mama, o que pode conduzir a atrasos significativos no diagnóstico e tratamento.
Por outro lado, no artigo científico “Diagnostic delays in breast cancer among young women: An emphasis on healthcare providers”, publicado em 2023, os autores defendem que é essencial sensibilizar também os profissionais de saúde e definir percursos de diagnóstico mais claros.
Desta forma, a sensibilização deve chegar não só às mulheres jovens, mas também às famílias, às comunidades e aos profissionais de saúde. Escutar as preocupações, valorizar alterações persistentes e garantir uma avaliação adequada são passos importantes para que a idade não se torne um obstáculo ao diagnóstico atempado.
Como recorda a Dra. Mariana Coutinho, Diretora Executiva da EVITA, “a deteção precoce não pode depender apenas dos programas de rastreio: a idade, por si só, não deve levar à desvalorização de sintomas persistentes ou inexplicáveis”.
Para além do diagnóstico: os desafios de viver com a doença
Um diagnóstico de cancro da mama numa fase jovem da vida pode trazer preocupações que vão além do tratamento. Fertilidade, maternidade, relações familiares, vida profissional, situação económica e bem-estar emocional podem assumir particular importância.
A BCYWF destaca, por isso, a necessidade de articular sensibilização e deteção precoce com investigação e apoio às mulheres ao longo da sua experiência com a doença.
Na perspetiva da EVITA, é importante relembrar que o cancro da mama em idade jovem pode dever-se (em cerca de 5 a 10% dos casos) a alterações genéticas hereditárias, por exemplo nos genes BRCA1 e BRCA2. Neste sentido, é fulcral que as portadoras destas mutações genéticas sejam identificadas, para poderem receber acompanhamento adequado. Este consiste, habitualmente, numa vigilância mais frequente da saúde mamária, mas também pode incluir medidas de prevenção, nomeadamente a cirurgia para remoção do tecido mamário.
A EVITA apela às mulheres que tenham um historial “pesado” de cancro na família, que se aconselhem junto de um profissional de saúde, para que possam receber aconselhamento genético, caso seja necessário.
Para uma primeira triagem, aconselhamos que aceda a evitaplatform.org e que complete o nosso questionário de compreensão de risco, baseado nas recomendações da Sociedade Portuguesa de Oncologia. Após responder às dez perguntas, receberá um resultado que irá indicar se parece ter baixa, média ou elevada probabilidade de ter predisposição hereditária para cancro. Este resultado não é um diagnóstico, nem substitui o aconselhamento médico, mas permite, a todas as pessoas preocupadas com o seu risco para cancro, obter rapidamente uma resposta e dar-lhe o seguimento adequado.
Na EVITA, acreditamos em promover o acesso a informação acessível e de qualidade, para que cada pessoa possa compreender melhor a sua saúde e possa tomar decisões mais informadas. Conhecer o corpo, procurar aconselhamento perante alterações e garantir uma avaliação adequada são passos importantes para cuidar da saúde da mama em todas as idades.
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Referências:
Breast Cancer in Young Women Foundation — recursos sobre saúde mamária em mulheres jovens, acedido a 15 de outubro, 2026.
Costa, L., Kumar, R., Villarreal-Garza, C., Sinha, S., Saini, S., Semwal, J., … & Lipton, A. (2024). Diagnostic delays in breast cancer among young women: An emphasis on healthcare providers. The Breast, 73, 103623.
DGS, Norma 12/2024, de 06/12/2024 – Programa de rastreio de base populacional do Cancro da Mama, acedido a 15 de outubro, 2026.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer, acedido a 15 de outubro, 2026.